quarta-feira, 11 de março de 2009

Há algo de província em todo lugar ou Recordar é viver

Para este Soprador de Vidro, o melhor da apresentação da poeta Gladys França Gama ontem, no primeiro dia do evento Mulheres em Prosa e Verso, no Auditório Prata Tavares do Palácio da Cultura, foi a participação da ex-vereadora, atriz e escritora Antônia Leitão.
Gladys França (pronuncia-se Gládis e não Gleidis) é uma campista radicada em Curitiba que não usa artisticamente o sobrenome Gama do primo César, presidente do Americano Futebol Clube. Ela veio rever a planície goitacá como fundadora de uma Organização Não-Governamental (ONG), Cabeça de mulher, Coração de homem. A primeira parte do nome, Cabeça de mulher, é o título de um dos vários livros da autora. O nome completo é também o de uma comenda oferecida por ela a "personalidades que contribuem para a cultura", segundo palavras extraídas de um release preparado pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), organizadora do evento.
Dizendo-se muito emocionada, Gladys quase não conseguiu falar. De início, a voz dela até falhou. Leu, na tela de um laptop, partes de um discurso que elaborou para a platéia do auditório, tendo seus poemas lidos pela mestra de cerimônias do evento, Katiana Rodrigues, e por Maria Helena Gomes, diretora artística da Fundação Teatro Municipal Trianon. E entendeu que sua carreira de poeta poderia ser melhor contada por meio da exibição de um pequeno documentário –produção bem doméstica, com trechos de eventos de que ela participou, entrevistas que concedeu e recortes de jornais sobre seus livros.
Foi curioso ver uma pessoa que, no vídeo, se mostra tão desenvolta em aparições públicas e que diz ter na emoção a matéria básica de sua produção refém de tal sentimento. Tanto quanto observar que provinciano não é apenas quem mora no interior, como o campista. Curitiba, citada como exemplo de modelo a ser seguido por outras cidades em vários aspectos também tem lá seus provincianismos. Ao ouvir essa consideração deste Soprador de Vidro, ao final da apresentação de Gladys, Winston Churchill Rangel disse que havia pensado na mesma coisa.
A despeito de tudo isso, foi gratificante para muitos campistas rever imagens de um passado não tão longínquo: Garotinho durante o primeiro mandato como prefeito de Campos; Ineida Oliveira como repórter televisiva; Gianino Sossai como âncora do telejornal matinal Bom Dia NF; Marcelo Sampaio numa foto lançamento de livro da autora, ao lado do saudoso Adilson Rangel, da livraria Noblesse –todos como coadjuvantes da protagonista Gladys.
Mas o melhor da noite, como se disse no início, foi ver e ouvir Antônia Leitão. Num discurso que também leu, a vereadora não deixou que suas palavras fossem cortadas por nenhum soluço e nem perdeu a voz. E, como sempre, mostrou a pessoa divertida que é.
Ao final da apresentação de Gladys, a autora autografou o CD Tempo novo, fios mágicos, com poemas extraídos do livro É necessário que haja, vendido com um calendário de 2009, contendo o poema "E esses sonhos?".
A apresentação de hoje, de Gina Teixeira, muito mais alegre, merece um texto à parte.

2 comentários:

Gladys disse...

Agradeço sua presença e criticas!E sou irmã de Cesar Gama,não prima,existiu sim emoção e a diferença de clima , Curitiba e Campos, e gostaria de lembrar que a renda do audiopoesias, foi revertido para a Instituição Asilo do Carmo , e ao aceitar honroso convite , foi muito mais homenagear as mulheres campistas que ser homenageada e realmente sou uma provinciana e me orgulho sim ser Campista

mari disse...

Caro Sr. Gustavo.
Fazendo parte da sociedade cultural de meu estado (Pr.) me surpreendeu as colocações postadas em seu blog.
Interessante a dicotomia de suas reflexões sobre Gladys França (ou Gama como preferir).
Me chama a atenção a sua correção quanto a pronúncia do nome da poetisa. Supondo que o público presente na participação de Gladys tem a liberdade de chama-la conforme seus costumes e hábitos locais considero uma deselegância essa correção pública a seus contemporâneos. A emoção, o grande carro chefe de todas as artes também foi banalizada e desvalorizada aos seus olhos.Gostaria de transmitir uma mensagem necessária em nossa atualidade: o importante é prestarmos atenção aos conteúdos, e não aos supérfulos.Enquanto comunicadores de maiores ou menores portes não souberem interpretar corretamente as mensagens subliminares de pessoas que se colocam à disposição do coletivo continuaremos com uma sub cultura reinante. Fingimos que temos uma cultura, fingimos que temos comunicadores e resta apenas o público sensível atento aos conteúdos de todos os nossos artistas de qualquer parte do país ou mundo, uma vez que a arte é atemporal e sem geografia a limitando.