quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A nossa batalha de Itararé

Em certo momento do desenrolar do movimento que desencadeou o golpe de 1930, por meio do qual Getúlio Vargas chegou pela primeira vez à presidência do Brasil, houve uma grande expectativa em torno de uma tragédia anunciada que acabou não ocorrendo: a batalha de Itararé.
Conforme se pode depreender do nome da batalha, o conflito aconteceria em Itararé, município de fronteira entre os estados de Paraná e São Paulo, e seria travado em função de um rompimento do Partido Republicano Paulista (PRP) com a chamada política do café-com-leite –expressão remissiva à alternância na presidência no Brasil de paulistas e mineiros, os maiores produtores de café e de leite no país.
A ruptura com tal política se deu quando, em 1930, o presidente paulista Washington Luís resolveu indicar o conterrâneo Júlio Prestes para sucedê-lo. Como era a vez dos mineiros escolherem seu representante, o governador de Minas Gerais se aliou a oligarquias dos estados do Rio Grande do Sul e Paraíba e formou a Aliança Liberal, para disputar as eleições de 1930. Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul, e João Pessoa, da Paraíba, foram, respectivamente, os candidatos a presidente e vice-presidente da República pela Aliança Liberal.
Não fugindo à regra das eleições da época da chamada República Velha, o pleito de 1930 foi marcado por fraudes, efetuadas tanto pela situação quanto pela oposição. Mas tais expedientes não garantiram a vitória da Aliança Liberal, cujos integrantes, insatisfeitos com a derrota, começaram a tramar um golpe contra o governo.
Os planos para o golpe ganharam ares de uma revolução depois do assassinato de João Pessoa por um adversário na Paraíba –crime que teve como conseqüência uma revolta popular e cuja responsabilidade recaiu sobre o governo federal. Assim, em 3 de outubro de 1930, tropas sob o comando de Vargas partiram do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. Surgiu então o temor de que, no caminho, os liderados por Vargas enfrentassem os que estavam a serviço de Washington Luís. A previsão era de que um confronto ocorreria em Itararé. Nada aconteceu, no entanto: antes que as tropas de Vargas chegassem ao local, uma junta militar depôs Washington Luís no Rio de Janeiro.
A batalha de Itararé –a que não houve– virou motivo de chacota. Em homenagem a ela, um humorista e político independente da época, Aparício Torelly (1895-1971), resolveu intitular-se Barão de Itararé.
Em Campos dos Goytacazes, um embate comparável à batalha de Itararé foi anunciado há pouco mais de duas semanas. E, como ela, acabou não ocorrendo. Alguém tem idéia do que poderia ser a nossa batalha de Itararé?

3 comentários:

Jean disse...

Só sei que ocorreria no sob os olhares de Alberto Torres e Barão da Lagoa Dourada...

Xacal disse...

Bom, pelo jeito somos pródigos até nessas "batalhas":

tem a do napoleão da lapa, contra a corrupção da câmara, que agora domesticada, tornou-se proba...

e tem a do promotor de interesses confusos, quando convoca atiradores para fazer cumprir o que o MPE deveria ter fiscalizado há, no mínimo, trinta anos...

vai ser tudo na "bala"...com transmissão ao vivo...é claro...!

fica a pergunta: é pro fantástico...?

Arthus disse...

Olha, não por eu ser gaúcho, mas a batalha de Itarerá foi nada mais nada menos que uma "amarelada" dos paulistas diante da ofensiva que Getulio liderava rumo ao Rio. A dita cuja é citada pelos riograndenses quando os paulistas fazem suas piadinhas de gaúcho. Ela nos ajuda a refrescar a memoria dos paulistas quando eles contam essas piadas.