quarta-feira, 8 de abril de 2009

recortes

Um polemista que também é poeta

Articulista do jornal Folha da Manhã; membro da Academia Campista de Letras (ACL); consultor da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); avaliador institucional do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (INEP/MEC); parecerista da Scientific Eletronic Library Online (SciELO), do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde; pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); envolvido com uma pesquisa sobre o conto contemporâneo de Sérgio Sant'Anna; estudioso da obra de Hilda Hilst; ex-gerente de Cultura do município de Campos; fundador de um grupo teatral no Instituto Dom Bosco de Campos (atual Colégio Salesiano); integrante do Grupo Persona de teatro (o de Winston Churchill Rangel e não a escola de Tânia Pessanha, diga-se) e do Teatro Universitário de Campos (Tuca); cenógrafo, figurinista, diretor e maquiador; ator; editor do jornal Rota Gigante; estudante que cursou o ginasial nos Estados Unidos da América; arquiteto; ex-funcionário do Departamento de Engenharia do Banco do Brasil; graduado em Letras (Português/Inglês) pela Faculdade de Filosofia de Campos, quando ainda FFC (hoje Fafic); professor do Ensino Médio do Colégio Estadual Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras, na Serra (ES); encenador da peça Vestido de noiva, com Marília Pêra, Tamara Taxman e Jacqueline Lawrence, no Teatro Gláucio Gil; especialista em Modelos Lingüísticos (à época ainda com trema, certamente) no Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (DLL/UFES); mestre e doutor pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); pós-doutor pela Universidade Estadual de Nova Iorque; responsável por uma performance na Andy Warhol Foundation (também em Nova Iorque); intelectual das Letras e das Artes; organizador da 5ª Bienal do Livro de Campos; responsável (segundo considerou) pela continuidade do processo de formação do Conselho Municipal de Cultura de Campos ((re)iniciado durante a gestão de Luciana Portinho à frente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima: o primeiro organismo público direcionado à área nesta planície foi criado na década de 1970) e pela retomada do Prêmio Alberto Lamego (na verdade, uma das retomadas); proponente de uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) para trazer para Campos a escola de Cinema da instituição e criar no município um Pólo de Cinema.
Ufa!
Todos esses títulos pertencem a Deneval Siqueira de Azevedo Filho e foram exibidos numa entrevista concedida por ele à repórter Elena Viana e publicada no caderno "Folha 2" do jornal Folha da Manhã, no domingo passado. Mas o entrevistado ainda ostenta outras credenciais, não mencionadas em tal edição do períodico. Ele foi, por exemplo, coordenador do curso de Letras da Univerdade Estácio de Sá (Unesa) em Campos. E já se dedicou (será que ainda se dedica?) à poesia.
Dois títulos da produção dele nesse campo ("Anjo noturno" e "Essa coisa confete") vieram a lume num caderno do Diretório Acadêmico Nilo Peçanha (Danipe) da FFC (atual Fafic), reunindo o que foi apresentado na 2ª Mostra Universitária de Poesias de Campos. Certa vez, este escriba disse a ele ter encontrado, meio ao acaso, tais poemas e ouviu o autor lembrar com saudade do tempo em que ambos foram escritos, ressaltando preferir o segundo (sobre o qual consta o nome Denerval Siqueira). No volume em questão, II Mostra de Poesia – Danipe, datado de novembro de 1982, há ainda poemas de Antonio José Muylaert, Carla Sarlo Carneiro, Cesar Simas, Dagmar da Silva Crespo, Dionizete Barreto, Fernando Leite Fernandes, Guilherme Fernandes, Jailza Mota Tavares, Jorge Luiz Pereira dos Santos, Jorge Pereira Rosa, Luciano Aquino, Luiz Carlos da Silva, Marcos Provazzi, Maria Luiza Pinto da Silva, Ricardo Augusto, Ubirajara Alves Monteiro. Alguns desses nomes se notabilizaram mais que outros no campo da produção de poesia em Campos. Mas comentários a esse respeito ficam para outros "recortes". Por ora, aí vão as composições de Deneval Siqueira:
ANJO NOTURNO

Ah! Solto gosto de fluir assim
em noites eternas
Noites roucas de tão loucas!
E quando tarda, fim de sol poente
Brotar da noite quente
Eterno, perdido, eu
toco o sono tal gnomo.

Ah! Brilho por servir a noites-pérola
Afago a tua auréola,
Esquecida vida destemida!
Noite doida, tão querida!

Ah! Choro de perder-te, dia enfim!
Achava que não irias assim
Forte sonho fosco este: louco
Pensar que por menos um pouco
tu adormecerias em mim.
ESSA COISA CONFETE
Confete, enfeite, bar
fica o toque, fica o ar.
Confete, toque-suor
embalo, fervor e cor
momentos de cor.
Confete meu, pó
Confete seu, nó
em mim um confete só.

3 comentários:

Xacal disse...

como diz minha velha e extinta avó...

muito peido é sinal de pouca merda...!

mas nesse caso, o adágio pode ser revisto:

muito peido é sinal de muita merda...!

Provisano disse...

É um currículo respeitável o do Professor Deneval Siqueira, que certamente causa e causará muita inveja em muita gente. Ator eu sabia que ele foi, escritor também, tenho dele, alguns livros todos com dedicatórias mas, não conhecia a faceta de poeta, conhecendo-a agora, via blog.

Valeu, Soprador de Vidro, pelo registro, vou procurar os livros citados e incorporá-los à minha humilde biblioteca.

Gustavo Landim Soffiati disse...

Provisano,

Satisfaz-me saber que a seção "recortes" possa cumprir ao menos um papel informativo.
Os poemas de Deneval a que me referi não estão em livros, mas na coletânea citada: "II Mostra de Poesia - Danipe", um pequeno volume produzido de forma quase artesanal.

Um abraço.