quarta-feira, 10 de junho de 2009

Love's in the air...

Música romântica. Eis aí uma expressão-ônibus, que tudo abarca.
Richard Wagner, o compositor erudito alemão, era romântico. E com R maiúsculo (ou Eu maiúsculo, como já disse alguém sobre o movimento defendido pelo parceiro e depois rival de Friedrich Nietzsche). Muitos outros compositores eruditos de antes e depois dele também eram.
Na música popular, o romantismo está presente em quase toda parte. Mesmo quando tentam bani-lo dela.
Sem pretender ser exaustivo, já houve, por exemplo, quem defendesse que a bossa nova surgiu como uma sofisticação musical que pudesse sepultar a produção de compositores e compositoras, cantores e cantoras identificados com a fossa, a dor de cotovelo: Lupicínio Rodrigues, Francisco Alves, Vicente Celestino, Ângela Maria... Mas com a tropicália ocorreu uma recuperação deles, embora a proposta do movimento fosse desenvolver uma linha evolutiva da bossa nova.
Entre o final da década de 1970 e início da de 80, uma das tendências que floresceu na new wave do rock –às vezes avesso ao romantismo– foi o movimento new romantic. E Lulu Santos, que pegou essa onda pós-punk, respondendo à acusação de que não passava de um romântico, quase deu a seu disco Tudo azul, de 1984, o título de "O último romântico", uma das faixas do álbum. Mais ainda: se já houve mesmo alguma resistência ao romantismo no mundo heterofalocêntrico do rock, os emos estão aí para abrir espaço à tendência.
Após considerações dessa ordem, parece possível dizer que uma Noite do vinil à dedicada música romântica não é, portanto, tarefa das mais fáceis. Tanto pelo risco de afastar os que adoram odiar o que é romântico, quanto pela dificuldade de delimitação de repertório. Mas o organizador do evento, Wellington Cordeiro e a blogueira unimúltipla Aucilene Freitas, grande colaboradora dele, prometem agradar quem curte moments in love e comparecer hoje à Taberna Dom Tutti (Rua das Palmeiras, 13), a partir das 22 horas, para escutar Charles Aznavour.

4 comentários:

Erik Schunk disse...

O Gustavo está apaixonado?
Um grande abraço!
Bela matéria!

Gustavo Landim Soffiati disse...

Obrigado pelo elogio, Erik.
Um abraço.

Marcos Oliveira disse...

Gustavo, só hoje li o seu artigo. Muito legal! Precisamos voltar com o Metamúsica, só que abrindo mais o leque, com assuntos como esse (os puristas do RP não vão gostar...rs).
Abs.

Gustavo Landim Soffiati disse...

Obrigado, Marcos.
É um prazer receber sua visita.
O artigo foi feito às pressas, mais para divulgar a noite do vinil dizendo alguma coisa sobre o tema.
É verdade, a abertura de leque é algo que os puristas adoram odiar. Outro dia, conversei com o Squeff sobre o "Charque Side...", que adorei! Ele disse que não gostou, pois não gosta de "axé".
Como você deve saber, ao contrário de muitos outros, à medida que envelheço, aumento meu leque de gostos artísticos e, mais especificamente, musicais. Sou inclusivista. Tenho ouvido de tudo...
Precisamos voltar com muita coisa. Eu, por exemplo, com este blog inclusive, que quase não tenho atualizado. Rs.
Por que você não cria um blog para o Metamúsica?


Um abraço.